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Bioconstrução
leva
ao consumo
consciente
Todescan
e Siciliano Arquitetura expande a bioconstrução e mostra que o
tema vai além da preservação socioambiental,
pois resgata relações interpessoais,
faz
bem a saúde, preserva a
natureza e é um investimento lucrativo
Não é preciso ser
ativista de algum grupo ambientalista para agir em favor da
natureza. De acordo com a dupla de arquitetos Marcelo Todescan e
Frank Siciliano, diretores da Todescan Siciliano Arquitetura, os
moradores de grandes metrópoles também podem contribuir com o meio
ambiente adotando reformas e construções alicerçadas na
bioconstrução. O projeto integra homens, mulheres, crianças e
profissionais do ramo da construção, num só propósito: erguer
uma casa confortável, prática, saudável e ecologicamente correta.
A técnica da
Bioconstrução é uma forma conceitual que vai além de uma
manifestação arquitetônica. Essa técnica interativa possibilita
a elevação da auto-estima do morador e o torna ativo, já que este
participa de todo o processo construtivo. "Amassar barro para
erguer as paredes da casa dá a verdadeira importância de fazer
parte, de interagir com o meio ambiente e dar referência ao que é
nosso", ressalta Andréa Palma, proprietária de uma casa
ecológica.
"O fato de
criarmos alternativas viáveis para a construção e manutenção de
comunidades sustentáveis garante qualidade de vida as futuras
gerações", conta Frank Siciliano. Por conta disso, Frank
Siciliano e Marcelo Todescan desenvolveram um projeto utilizando a
técnica japonesa "Tsuchi Kabe", empregada na construção
de templos budistas, casas de luxo e edificações no estilo
tradicional.
"Usamos a
técnica japonesa por sua tradição milenar e por ser uma solução
socioambiental", afirma Marcelo Todescan. De acordo com os
arquitetos, essa é uma técnica simples e fácil de fazer, pois
utiliza matérias-primas naturais, como pedras nos alicerces,
paredes leves e finas, de estrutura em madeira reciclada, bambu,
terra e argila. Eles explicam ainda que obras bioconstrutivas fazem
bem à saúde. "Casas com paredes de barro controlam a umidade
e a temperatura interna da residência é muito melhor do que a de
alvenaria convencional".
Segundo a dupla, as
pessoas podem optar por construções inteiras ou reformas parciais.
"Construir um prédio de pau-a-pique e barro é complicado,
porém nada impede usar esse material natural nas paredes internas
dos apartamentos". Além disso, há outros materiais que podem
substituir os convencionais, como móveis feitos de madeiras
recicladas, lâmpadas mais eficientes para consumir menos, aquecedor
no lugar do chuveiro elétrico, entre outros. "Em nossos
projetos tudo gira em torno do consumo consciente", afirmam.
Marcelo Todescan e
Frank Siciliano explicam que o projeto bioconstrutivo não é tão
caro como se pensa, já que é possível adequar a residência a
projetos como captação e reuso de água, tratamento de esgoto,
captação de energia solar e utilização de matérias-primas da
região. "A possibilidade de integrar as necessidades de
conforto e qualidade de vida a uma forma ética e sustentável de
viver é a grande sacada deste segmento", conclui os arquitetos
da Todescan Siciliano Arquitetura, Marcelo Todescan e Frank
Siciliano.
"Creio que
valores monetários não são tão importantes. Afinal, técnicas
ecologicamente corretas e que estimulam a integração social,
reforçando os relacionamentos com vizinhos, amigos e familiares
não tem preço. Construir nossa casa é como construir um templo,
pois estamos criando um espaço sagrado no qual vamos passar grande
parte de nossas vidas", revela Enjo, monge budista responsável
pela celebração do ritual "Tsuchi Kabe".
Os arquitetos Marcelo
Todescan e Frank Siciliano são os profissionais responsáveis pela
nova roupagem da rede McDonald’s na América Latina, rede de
Hospitais Vita, nova sede do Instituto Bacarelli e estão frente do
projeto de sustentabilidade Gaia Education no Brasil, que visa
multiplicar o conceito sustentável. Além dos projetos
corporativos, a dupla é especialista em projetos residenciais que
utilizam à técnica da bioconstrução.
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